badge
Mostrar mensagens com a etiqueta filme. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta filme. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, maio 02, 2008

Oldboy - O velho amigo

PostersOh Dae-su (Choi) é raptado e encerrado numa prisão particular, sem que lhe seja dada justificação alguma. Passa 15 anos enclausurado, sozinho, num quarto com casa de banho e um televisor que lhe permite ter contacto com as mudanças no mundo exterior. O quarto é impregnado regularmente por um gás soporífero, precedendo a intervenção dos captores, que assim limpam o local ou cortam-lhe o cabelo, sem que o prisioneiro troque quaisquer palavras com outros humanos. Depois da libertação, Dae-su concentra-se exclusivamente na vingança; em descobrir quem o prendeu e quais as suas razões. Mas a tarefa não é fácil; tem de se adaptar a uma realidade década e meia à sua frente e é suspeito de um homicídio cometido durante o cativeiro. Mi-do (Kang), uma cozinheira de sushi de mãos frias vai ajudá-lo a procurar uma resposta para a pergunta que não lhe sai da mente: porquê? Baseado numa manga em 8 volumes de 1997, com argumento de Tsuchiya Garon e desenhos de Minegishi Nobuaki.

«Oldboy» é um filme com um certo número de surpresas narrativas, sendo recomendável evitar a leitura de textos pormenorizados antes do primeiro visionamento. Como é natural e habitual, procura-se, neste texto, evitar a descrição de especificidades do guião que devam ser descobertas no momento adequado pelo espectador.

O último filme de Park Chan-uk, e o segundo de uma Trilogia da Vingança iniciada com o magistral «Bokseuneun Naeui Geot» [«Sympathy for Mr. Vengeance»] (2002), chegou a Cannes sem que se registassem grandes expectativas nos relatórios de imprensa que antecipavam o festival. Nem os Cahiers do Cinema pareciam ter ouvido falar do realizador ou dos seus títulos anteriores, como o referido anteriormente ou «Joint Security Area», já projectado em Portugal, na Cinemateca Portuguesa. É natural que se esperasse mais de nomes mais conhecidos nos meandros da "arte e ensaio", como Wong Kar-wai ou Pedro Almodóvar, mas listar especificamente as "promessas asiáticas" que faziam parte da competição, referindo quase todos os títulos presentes menos «Oldboy», é sintomático da fraca expressividade do cinema sul-coreano no Ocidente ou a sua importância mitigada — até agora, diríamos — no contexto temático de um dos festivais de cinema "mais importantes da Europa", como diria, com muita contenção e receio de exagerar, um pivot de uma estação televisiva nacional.

Oldboy
Oh Dae-su é fechado, durante 15 anos, numa cela privada.
O momento sushi.

Quentin Tarantino, presidente do júri do Festival de Cannes, já fazia uma ideia do que poderia esperar, por conhecer a obra de Park e por estar mais atento aos zunzums provenientes da Ásia do que a imprensa que costuma cobrir aquele evento. Por outro lado, talvez devesse estar calado em vez de fazer comentários e amplificar o "hype" sobre filmes que ainda não haviam sido projectados.

Este não é um tipo de filme que gere consensos, devido à crueza e ao desejo por parte do realizador de não aligeirar as violentas consequências das acções nascidas de um desejo cego de vingança. Algumas pessoas ficaram impressionadas (ou até chocadas) com a violência representada e a multiplicação de comentários ilustrando esse sentimento pode contribuir para preparar os espectadores para desmembramentos constantes e sangue a salpicar nas paredes de cinco em cinco minutos. Mas «Oldboy» é menos violento do que o filme anterior de Park Chan-uk, onde existem cenas prolongadas de tortura, mutilações gráficas e sangue a jorrar a boa distância. Aqui, bom, a tortura é mais breve, a mutilação menos gráfica e o sangue não esguicha a mais de meio metro.

Alguma violência em «Oldboy» é mais sugerida que representada. Se atentarmos num exemplo em que Roger Ebert pega, uma cena que envolve a extracção não voluntária de parte da dentição em bom estado de uma personagem, vemos apenas o início do acto e a sua consequência (poder-se-ia comparar com a célebre cena da orelha em «Reservoir Dogs» que muitas pessoas jurariam ser detalhadamente gráfica, apesar de, na realidade, a câmara se afastar). O facto de muitos se afirmarem incomodados com o "excesso" de violência em «Oldboy» servirá sobretudo para aferir do impacto emocional do filme, ainda que o registo de Park seja, formalmente, frio e distanciado. Ebert, uma referência da crítica norte-americana, também é conhecido pelos seus momentos de particular sensibilidade. O exemplo máximo é o episódio em que trucidou «Veludo Azul», de David Lynch, devido ao "abuso" contra Isabella Rosselini, "obrigada" a rodar nua uma cena emotiva.

Choi Min-sik
Choi Min-sik (Dae-su).
Kang Hye-jeong
Kang Hye-jeong (Mi-do).

Há outro momento-choque frequentemente referido e o qual o realizador comentou durante a sua passagem por Cannes. Não parece que se trate de uma "surpresa" do filme e, se o fosse, deixaria de o ser, uma vez que parecia fadada a tornar-se “a” questão incontornável a colocar ao realizador ou ao actor Choi Min-sik. Em todo o caso, o leitor (sobretudo se for vegetariano) pode preferir saltar o resto do parágrafo. A cena em causa é quando Dae-su come um polvo. Inteiro. Vivo. A espernear (tentacular?). Bom, na Coreia do Sul é normal comerem-se polvos a espernear, a novidade é que Dae-su dispensa a parte em que o bicho é seccionado para ser ingerido pedaço a pedaço. Este interlúdio gastronómico não é bem visto por alguns que comentam que na Coreia do Sul não há muita preocupação com o bem-estar dos animais. É certo que o bem estar do falecido polvo não foi assegurado e isso quem vir o filme poderá conferir. Mas o que está em causa é, quanto muito, uma questão cultural e não exactamente de respeito por "direitos dos animais" (num contexto de uma sociedade onde é normal matar animais para fins de alimentação). A questão só seria diferente se o cefalópode tivesse sido morto gratuitamente; aqui é óbvio que foi usado para alimentação. O choque ou o desagrado não terá, naturalmente, o mesmo efeito num país ibérico onde se sangram animais com a principal finalidade de recreação, do que, por exemplo, nos EUA onde se dilui a relação entre os seres vivos e a respectiva apresentação à mesa.

Estamos perante uma obra de género, um thriller negro, mas também um ensaio sobre a vingança, seus limites e consequências. Seria pouco interessante desenvolver um filme de duas horas apenas para dizer que a vingança não leva a lado nenhum, que violência gera violência, etc. Park Chan-uk usa a temática como enquadramento narrativo, criando um filme para o grande público (na Ásia, pelo menos), com um argumento bem escrito, que se desenvolve e revela nas doses certas. O elenco é virtualmente o ideal. Choi Min-sik e Kang Hye-jeong estão muito bem, tal como a generalidade dos secundários. Yu Ji-tae, por outro lado, já não me pareceu tão insubstituível.

Choi Min-sik, que já foi visto num filme estreado em Portugal, «Embriagado de Mulheres e Pintura/Chwihwaseon» (2002), encarna na perfeição uma personagem que não tem nada a perder e que consegue transmitir uma impressionante força e destreza física, fazendo-nos aceitar os excessos de alguns confrontos. Choi é um actor com uma amplitude notável, como se poderá constatar, por exemplo, confrontando o Dae-su de «Oldboy», com o gangster falhado de «Failan» (2001). Kang Hye-jeong apareceu anteriormente na produção de baixo orçamento, rodada em DV, «Nabi» [«Butterfly»], uma pequena curiosidade de ficção científica melancólica e filosófica, projectada no Fantasporto de 2002 [vd. texto], e tem aqui um trampolim para uma carreira prometedora.

Choi Min-sik
Dae-su não sai de casa sem o martelo de estimação.

Se o texto é complexo e rigoroso, a composição visual fornece-nos um nível aparte para a apreciação da obra. A fotografia é cuidada, os enquadramentos cuidadosamente preenchidos e equilibrados, os movimentos da câmara são naturais e espontâneos. Veja-se o plano contínuo no corredor, que opõe Dae-su a um vasto número de homens armados com paus e facas. Todas as opções formais se ajustam bem para o contar da história. Para além desse plano-sequência, que ilustra a capacidade de resistência até limites insustentáveis, alimentada pela raiva e pelo desejo de vingança, a montagem adapta-se conforme o tom da cena e o estado de espírito de Dae-su: no início do filme, a embriaguez é reflectida pela utilização de uma infinidade de jump cuts.

Não há moral nos filmes de Park — os julgamentos ficam a cargo do espectador. «JSA», outro filme onde se parte numa investigação ao passado e onde o flashback tem uma relevância narrativa superior, já reflectia esta imparcialidade do cineasta. É com «Sympathy for Mr. Vengeance» que «Oldboy» tem maiores semelhanças formais e narrativas. Park constrói um mundo negro, imerso nas trevas, que se vai revelando, à medida que os “heróis” vão ser obrigados a enfrentar esse meio. Em ambos os filmes existem criminosos organizados que fornecem serviços socialmente repulsivos a quem estiver disposto a pagar por eles: órgãos humanos no primeiro filme, encarceração privada no segundo. A moral não precisa de ser pregada: os resultados dos actos falam por si e em momento algum se glorifica a violência que pontua o caminho das personagens — Choi em «Oldboy», Song Kang-ho em «Sympathy...».

Kang Hye-jeong

O sexo tem também um papel similar nas duas partes da trilogia da vingança de Park Chan-uk. Não há preliminares ao som de música ligeira; corta-se directo para um acto, cuja representação oscila entre a ternura e a crueza, sem lugar para palavras doces. É um acto de consumação ensombrado por uma contagem decrescente invisível, ilustrando um desespero de fim-dos-tempos, como se as personagens pressentissem que o futuro é muito negro e que o tempo lhes foge entre os dedos. A última oportunidade para amar, dir-se-ia... Ainda que não seja o registo do “romântico” que fica na nossa memória depois de vermos um ou outro filme, «Oldboy» é, afinal, também uma história de amor.

texto retirado de Cinedie Asia

"Ri-te, e o mundo ri-se contigo. Chora, e chorarás sozinho."

quinta-feira, julho 26, 2007

The Simpsons - O filme


Trailler #1

Eles são amarelos e são uma família muito pituresca, quisá, a família menos normal que alguma vez possa ter existido?!?! E estão finalmente no grande écran!!! =D

Os Simpsons apareceram pela primeira vez na televisão a 18 de Abril de 1987, no The Tracey Ullman Show. O sucesso foi tão grande que em 1989, Os Simpsons ganhavam na Fox uma série em nome próprio. Tudo começou quando James L. Brooks pediu a Matt Groening que lhe apresentasse uma proposta para uma série de curtas-metragens de animação. Foi na sala de espera daquele que viria a ser seu colaborador até hoje, que Groening esboçou Os Simpsons: o retrato de uma família suburbana norte-americana a quem deu os nomes da sua própria família, substituindo o seu pelo de Bart.

Passados 20 anos, a série continua a ser transmitida, tendo acumulado dois recordes na televisão americana: o de sitcom e de série de animação há mais tempo no ar, com 400 episódios contados no final da 18ª temporada. Como resultado de tão longo e árduo trabalho, os Simpsons tiram este Verão férias da televisão e rumam às salas de cinema para apresentarem a sua 1ª longa-metragem. Os Simpsons: O Filme foi discutido quase desde o início da série, não tendo sido possível de realizar até agora devido ao pesado calendário semanal dos seus criadores.

A longa-metragem não deixa nada a dever à série, pelo contrário; o cuidado redobrado com a qualidade da animação e das piadas sarcásticas faz a visita ao cinema valer a pena. A família está mais disfuncional que nunca e Springfield ainda mais afundado na poluição e nos maus costumes. Como a duração e o ecrã são maiores, a estupidez natural de Homer também cresce e desta vez vai ser a responsável por uma enorme calamidade na sua cidade natal. Será Homer capaz de salvar os seus vizinhos de um destino pior do que a morte? Para saber a resposta terá mesmo de trocar o sofá de casa pelas (também) confortáveis cadeiras do cinema mais perto de si.

Homer Simpson
Homer é um marido dedicado de quem a esposa não tem muitas razões de queixa. Pressionada por um conselheiro matrimonial, Marge acabou no entanto por confessar que Homer "esquece as datas de todos os aniversários e feriados (tanto religiosos como oficiais), mastiga com a boca aberta, passa o tempo todo num bar manhoso com vagabundos e falhados, assoa o nariz às toalhas e volta a pô-las no sítio como se nada fosse e usa as chaves para se coçar." Apesar destas pequenas falhas, Homer ama a sua família e faria tudo para o provar -- mesmo que isso significasse fazer papel de parvo.

Marge Simpson
Marge é a massa que, a muito custo, mantém unida a família Simpson semana após semana. Ao travar, com alguma sensibilidade, despesas extravagantes como a compra de um comando eléctrico para a porta da garagem ou uma muda de roupa para os seus filhos, Marge consegue esticar o modesto salário de Homer para cobrir os custos elevados de uma família do novo milénio: abastecimento de cerveja e donuts para Homer e outros gastos necessários como uma viagem de um dia à India para conhecer o dono da Kiwik-E-Mart Corporation.

Bart Simpson
Bart é o mais incompreendido dos Simpsons. Sente-se constantemente frustrado pela mesquinhez dos habitantes de Springfield que o julgam meramente pelos seus pensamentos e acções. No fundo, ele é apenas um bom miúdo com algumas más ideias, um par de ideias mesmo mesmo más e uma ou duas que ainda estão a ser analisadas pelo Procurador-Geral do Ministério Público de Springfield. Bart não é diferente de qualquer outro miúdo da 4ª classe. Gosta de andar de skate, de pastilha elástica, de Squishees do Kiwik-E-Mart e de levar sozinho à justiça um ajudante homicída da TV, por duas vezes.

Lisa Simpson
Lisa Simpson sai ao pai e à mãe: tem o bom senso, ética profissional e simpatia da Marge; e o sobrenome do Homer.A enorme inteligência e autoridade moral de Lisa colocam-na numa posição única dentro da família Simpson e, já agora, em relação ao resto de Springfield também.

Maggie Simpson
Ao longo dos anos, vimos a Maggie passar de uma querida criança de chupeta na boca para uma querida criança de chupeta na boca que disse a sua primeira palavra: "Papá." Ao aprender uma nova palavra em cinco anos, Maggie posiciona-se logo atrás de Bart e um pouco à frente de Homer no que ao desenvolvimento do vocabulário diz respeito. Para uma criança que não consegue falar nem andar com alguma consistência, Maggie leva uma vida excitante e recompensadora.